Artistas parintinenses tentam driblar a crise da Covid-19 através da criatividade

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Os artistas Geremias Pantoja (Caprichoso) e Sorin Sena (Garantido) utilizaram esculturas e produção de desenhos para superarem a pandemia.
Por João Paulo Castro
Publicado em 25/06/20 às 03h27

Fotos: Reprodução/Facebook

Os artistas parintinenses são reconhecidos Brasil afora por seus trabalhos em diversos eventos culturais, principalmente no Festival Folclórico de Parintins e no carnaval de São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, em dias normais, faltaria um dia para a primeira noite de apresentação de Caprichoso e Garantido, a movimentação dos galpões estariam a todo vapor e a concentração estaria recheada de belas alegorias esperando a fase de acabamento.

Entretanto, o ano de 2020 foi diferente. A maior manifestação folclórica da Amazônia precisou ser adiada por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), o Amazonas totaliza 66.764 casos confirmados por Covid-19, sendo 26.153 em Manaus, 40.611 no interior, e 2.710 mortes causadas pela doença.

Apesar das tratativas, o governador Wilson Lima (PSC), o secretário de Cultura, Marcos Apolo Muniz, e o prefeito de Parintins, Frank Bi Garcia (DEM), não confirmaram nenhuma data para a realização do evento.

O evento está adiado até segunda ordem, no entanto, os artistas parintinenses estão tentando driblar o impacto causado pela pandemia através da criatividade. Esculturas, pinturas em tela e produção de caricaturas ditam a crista da onda entre os artistas de Caprichoso e Garantido.

Em 2020 o Caprichoso iria defender o tema ‘Terra: Nosso corpo, nosso espírito’ e o Garantido levaria ‘Somos o Povo da Floresta’. Foto: Lucas Paulino

Sorin Sena, artista de alegoria do Boi Garantido, atual campeão do Festival de Parintins, contou ao Portal Tucumã que sente falta de trabalhar no galpão de alegorias do Boi do Povão e sentir o calor da galera perreché.

“Foi muito difícil no começo da pandemia, não somos educadamente preparados para lidar com esse tipo de situação, principalmente que somos um povo caloroso. Quando chegamos de São Paulo não podemos comemorar nossa volta. É muito difícil ficar sem trabalhar no galpão, ficar sem ouvir as máquinas e não se sustentar com aquilo que você ama”, contou.

O artista de alegoria do Boi Caprichoso, Geremias Pantoja, popularmente conhecido como ‘Gereca’, falou que a pandemia da Covid-19 é um momento propício para valorizar a família e se reinventar.

“Além de paralisar o boi, foi um momento de reinventar e dar mais valor vida e nossa família. Paralisou não só aqui em Parintins, mas também os trabalhos em Juruti, Manacapuru e no carnaval”, disse.

Parceria e novos trabalhos

Com o período de isolamento social, ‘Gereca’ aprimorou sua técnica na produção de caricaturas, a grande visibilidade aconteceu no período antecedendo o Dia dos Namorados quando uma empresa manauara o convidou para fazer desenhos de casais para promoções.

Ele contou que fez um convite ao amigo Algles Ferreira, atuante na construção de alegorias do Boi Caprichoso, para firmar uma parceria na produção dos desenhos.

“Nós artistas conseguimos fazer muita coisa, embora tenha paralisado as atividades no boi, consegui desenvolver as técnicas da caricatura em casa. A minha parceria com o Algles começou quando a demanda das caricaturas começou a crescer, leva um tempo para produzir. Ele (Algles) tem muito talento, ao todo já desenvolvemos 70 caricaturas”, revela.

Foto: Reprodução/Facebook

Por outro lado, Sorin conta que começou a fazer esculturas e objetos voltados para jardinagem. Inicialmente foram projetos de estudo, mas com o tempo ele usou sua arte com o intuito de fazer trabalhos solidários.

“A minha casa virou meu galpão, no lado fica uma varanda onde toco meus projetos para frente. Não parei, fiz desenhos, vasos, cuidei de plantas, esculturas, algumas pinturas e agora estou na parte de fazer enfeites para jardins, algo do meu jeito. Não vendi nenhuma obra por enquanto, mas troquei por cesta básica com o intuito de ajudar nossos amigos artistas”, explicou.

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Foto: Reprodução/Facebook

Trajetória

Há 15 anos no Boi Garantido, Sorin Sena já trabalhou como auxiliar, pintor e escultor no galpão de alegorias. Em 2015 ele assumiu o cargo de artista de ponta junto com o artista Pingo Souza, e ao lado da equipe ‘Kuarup’, constroem os rituais do Boi do Povão.

O trabalho mais recente da dupla foi em 2019, quando elaboraram o ritual indígena ‘Palikur – O Triunfo da Luz’, sagrando-se campeões do festival. Ele já trabalhou em escolas de samba como Acadêmicos do Tucuruví e Tom Maior.

‘Gereca’ possui a história similar no Boi Caprichoso, ele trabalhou na área de escultura e pintura no galpão do boi azul. Ele estreou como artista de ponta em 2018 estreando com módulo alegórico tribal.

Em 2019 assinou a lenda amazônica ‘Caximarro: As Três Guerreiras’ na última noite do festival, gabaritando nota 10 dos jurados. ‘Gereca’ esbanjou sua arte nas agremiações União da Ilha do Governador, Dragões da Real e Unidos da Tijuca.

‘Caximarro’ (esquerda) e ‘Palikur’ (direita). Fotos: João Paulo Castro e Wigder Frota

Por João Paulo Castro

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