Brasil age em busca de matéria-prima que atrasa fabricação da vacina contra Covid-19

Ingrediente Farmacêutico Ativo é necessário para imunizante ser produzido no Brasil. Insumo vem da China, mas não há data para ser importado
Por Karol Maia
Publicado em 21/01/21 às 11h02

Nessa quarta-feira (20/1), a comunicação da presidência informou que o governo federal vem tratando com “seriedade” as questões referentes ao fornecimento de insumos farmacêuticos para a produção de vacinas contra a Covid-19.

Conhecido por IFA, sigla para “ingrediente farmacêutico ativo”, o produto nada mais é que a matéria-prima para a fabricação das vacinas. O insumo virá da China, mas ainda não há data para chegar ao Brasil.

O recebimento estava previsto para janeiro e é necessário para que as vacinas Coronavac e de Oxford – as únicas autorizadas até o momento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial no Brasil – sejam produzidas no país pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), respectivamente.

Em nota (leia a íntegra mais abaixo), o governo federal afirmou que “o Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Pequim, tem mantido negociações com o Governo da China”. Além disso, segundo a Secom, outros ministros têm conversado com o embaixador Yang Wanming.

A Secom ainda informou que o governo federal é o único interlocutor oficial com o governo chinês. No entanto, mais cedo nesta quarta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reuniu-se virtualmente com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming.

Após o encontro, Maia disse que não vê obstáculo político, mas sim técnico, na demora para envio ao Brasil de insumos chineses para a produção de vacinas.

“Ele [embaixador chinês] abriu a conversa já relatando que, de forma nenhuma, haveria obstáculos políticos para a exportação dos insumos da China. […] Ele disse que trabalha junto ao governo chinês para que a gente possa acelerar – a exportação no nosso caso – desses insumos para que possamos restabelecer logo a produção. Entendi a reunião como muito positiva”, disse o presidente da Câmara.

Após a divulgação do comunicado, a Embaixada da China no Brasil informou que se reuniu nesta quarta com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, “sobre a cooperação antiepidêmica e de vacinas entre os dois países”.

“A China continuará unida ao Brasil no combate à pandemia para superarem em conjunto os desafios colocados pela pandemia”, escreveu o perfil da embaixada.

Na terça (19/1), a Fiocruz enviou um ofício ao Ministério Público Federal (MPF) informando que a entrega da vacina contra a Covid-19 da Universidade de Oxford desenvolvida com a AstraZeneca vai atrasar de fevereiro para março.

De acordo com a fundação, o atraso ocorre porque o Brasil não recebeu um dos insumos para a fabricação do imunizante. O composto que falta para o início da produção da vacina no Brasil é o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), de responsabilidade da AstraZeneca.

A expectativa, informou a fundação, é entregar 100 milhões de doses da vacina até julho e mais 110 milhões até o fim do ano.

Leia a íntegra da nota do governo:

“O Governo Federal vem tratando com seriedade todas as questões referentes ao fornecimento de insumos farmacêuticos para produção de vacinas (IFA).

O Ministério das Relações Exteriores, por meio da embaixada do Brasil em Pequim, tem mantido negociações com o Governo da China. Outros ministros do Governo Federal têm conversado com o Embaixador Yang Wanming.

No dia de hoje, foi realizada com o Embaixador, uma conferência telefônica com participação dos ministros da Saúde, da Agricultura e das Comunicações.

Ressalta-se que o Governo Federal é o único interlocutor oficial com o governo chinês.

Secretaria Especial de Comunicação
Ministério das Comunicações”

*Com informações: Metrópoles

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