quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Enterros em vala comum com três andares e a falta de caixões preocupam os manauaras

A situação é preocupante na cidade de Manaus com o aumento no números de mortes. Só no domingo (26), foram realizados 140 enterros.

Enterros em valas comuns com três andares e a possível falta de caixões são a realidade da população manauara, que vem sendo atingida drasticamente pela pandemia do novo coronavírus. Até o último boletim divulgado na tarde de ontem (27), o Amazonas já registrou 320 mortes pessoas infectadas pela Covid-19, dessas, 256 foram só na cidade de Manaus.

Desde esta segunda-feira (27), os enterros no principal cemitério da cidade, o Nossa Senhora de Aparecida, localizado no Tarumã, vem sendo feitos em valas comuns divididas em três andares. Vários vídeos circulam nas redes sociais. Segundo a Prefeitura de Manaus, só no domingo (26), 140 sepultamentos foram registrados, além de duas cremações.

Vala comum em três andares

Para tentar solucionar ou ao menos minimizar o caos, a Prefeitura de Manaus adotou duas medidas. Uma delas é a disponibilização de cremação gratuita. O serviço está disponível desde sábado. Mas, como não não há esse hábito na cidade e a informação ainda não chegou ao conhecimento de todos, a adesão ainda é ínfima. No primeiro dia, apenas quatro corpos foram cremados. As famílias que aceitam são convencidas no momento em que tentam dar entrada no processo de sepultamento.

Outra medida terá início nesta segunda, quando os enterros passarão a ocorrer em camadas triplas. As trincheiras, como são chamadas as valas comuns, passarão a ser mais profundas de modo que caibam três fileiras de caixões uma sobre a outra.

Todo este cenário é decorrente da enorme quantidade de sepultamentos diários. Na última semana, foram 847 sepultamentos de acordo com a prefeitura. A média é de 121 a cada 24 horas. Destes, no entanto, apenas 57 tiveram a Covid-19 como causa da morte. Uma diferença que mostra o tamanho da subnotificação no  Estado do Amazonas.

Falta de caixões

Na última sexta, o sindicato das empresas funerárias do Estado do Amazonas alertou para o fato de que o estoque de caixões só seria capaz de atender a alta demanda provocada pelo coronavírus por mais dez dias. No entanto, com cerca de 600 urnas ainda à disposição, o presidente da entidade Manuel Viana se viu obrigado a rever esta conta. “Nós temos entre 500 e 600 caixões no estoque. Com mais de cem enterros diários, não vai durar mais do que cinco dias”, disse na ocasião.

Com a situação cada vez mais dramática, duas frentes de negociação são a esperança do setor. Numa delas, a Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) negocia com o Governo Federal a cessão de um ou mais aviões cargueiros para transportar 2 mil caixões de Campinas para Manaus. Neste domingo, em resposta a um contato da Secretaria Especial de Articulação Social, a entidade encaminhou um ofício no qual detalha a quantidade e as dimensões das urnas. Agora, aguarda por uma resposta urgente. “Se esta operação não for possível, temos que enviar as urnas por caminhão no máximo na terça-feira. E ainda assim não chegarão a tempo. Porque o caminhão leva 11 dias para chegar a Manaus”, conta Lourival Panhozzi, presidente da Abredif.

Com informações O Globo

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