Grávida pede ajuda para não perder segundo filho em hospital de Tefé e denuncia ‘negligência médica’

Mulher aguarda por um parto cesária, mas, segundo a família, o procedimento é negado à paciente pela segunda vez. Grávida já perdeu um filho, que ficou morto no útero por falta de parto cesária no mesmo hospital
Por Alessandra Aline Martins
Publicado em 31/07/20 às 10h57

Uma denuncia encaminhada ao Portal Tucumã, nesta sexta-feira (31), informa que médicos do Hospital Regional do município de Tefé (a 522 quilômetros de Manaus) se negam a fazer um parto cesária de uma grávida, que teme perder o segundo bebê por negligência médica na mesma unidade de saúde.

A empreendedora, Rosilene Martins Carvalho, de 18 anos, disse que na próxima segunda-feira (3) vai fazer dois anos, que perdeu o primeiro filho porque médicos se recursaram a fazer uma cesária na mesma unidade de saúde.

“Implorei em nome de Deus, porque estava sentindo que perderia meu filho, e em nenhum momento me ajudaram e muito menos me ouviram. Depois não senti mais meu filho mexer. Desesperada, falei, fizeram a ultrassom e meu filho já estava morto. Aí que fizeram a cesariana, para tirar ele morto”, disse Rosilene, pelo celular, chorando ao denunciar ao Portal Tucumã o que ela acredita ser “negligência médica”.

De acordo a agricultora, Eliane Florenco Martins, de 36 anos, mãe de Rosilene, na noite desta quinta-feira (30), a grávida estava no hospital, mas o médico plantonista passou buscopan e orientou retorno à casa.

“Passei a noite vendo minha filha chorar de dor, sem eu poder fazer nada. Pelo amor de Deus, me ajudem a fazer algo pela minha filha. Estou temendo perder mais um neto. É o terceiro que perco por negligência médica no hospital regional. Agora minha filha está nesse hospital, e estão se negando a fazer novamente a cesariana. Me ajudem!”, implorou a mulher.

A mãe de Rosilene acrescentou, ainda, que está junto com a filha no hospital, nesta sexta-feira. Conforme ela, a grávida chora de dor, mas os médicos não fazem nada. Com isso, a mulher está com medo de que o pior aconteça com a filha e o neto.

“Estamos desde cedo aqui, e não fazem nada. Minha filha está chorando. E estou preocupada, porque o médico diz que o meu neto está prematuro, mas a contagem está certa. Estão falando o mesmo discurso usado da outra vez”, destacou Eliane.

A acompanhante disse, ainda, que, após o Portal Tucumã procurar a secretaria de comunicação, um médico fez uma nova avaliação na paciente. Segundo ela, o profissional ressaltou que “não tiraria a criança em um parto cesária, para não ocupar uma incubadora da unidade – que poderia atender a outro bebê prematuro”.

Nota

A prefeitura do Município de Tefé informou que a gestante Rosilene Martins Carvalho, 18 anos, está na segunda gestação, sendo que a primeira, o recém nascido morreu por causa desconhecida.

“A gestante está com 36 semanas e 5 dias de gestação. Desta 2a, realizou o controle de pré natal em Unidade Básica de Saúde, com 9 consultas feitas, exames laboratoriais, realizados e registrados no cartão e sem alteração. A paciente deu entrada pela 2a vez nesta gestação, a 1a vez, com queixa de dor pélvica”, disse.

 De acordo com a nota da prefeitura, no dia 30 de junho foi à última internação durante a gravidez, reclamando de dor pélvica e lombar. Gestante classificada como gravidez de baixo risco, devido não apresentar nenhuma comorbidade.

“Está sendo monitorada sendo os sinais vitais verificados de 2/2 hs assim como o controle dos batimentos cardiofetais e o monitoramento dos movimentos fetais, realizou o exame de cartirografia, não havendo nenhuma alteração no bcf. Gestante em uso de analgésicos e antibióticos prescritos por médico obstetra e assistida por equipe de enfermagem, afim de evitar complicações gestacionais e fetais”, concluiu.

Foto: Divulgação

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