Indústrias farmacêuticas que produzem vacinas contra covid-19 superam capacidade de produção

As estimativas das indústrias farmacêuticas que produzem vacinas são de nesse cenário a produção total chegar a 17 bilhões de doses.
Por Henrique De Mesquita
Publicado em 06/01/21 às 11h25
Indústrias farmacêuticas que produzem vacinas contra covid-19 superam capacidade de produção
Indústrias farmacêuticas que produzem vacinas contra covid-19 superam capacidade de produção

As indústrias farmacêuticas deverão dobrar, ou até mesmo triplicar, sua capacidade de produção de vacinas para imunizar a população mundial contra o covid-19, segundo fontes do mercado que acompanham a intensa atividade de montagem e utilização de novas fábricas.

Atualmente a capacidade mundial de produção de vacinas em geral (não incluindo para gripe sazonal) é estimada entre 3 e 5 bilhões de doses por ano. Agora os laboratórios precisam tanto manter a produção de diferentes vacinas já existentes, como também ter linhas específicas para combater a covid-19. E as estimativas são de nesse cenário a produção total chegar a 17 bilhões de doses.

Testes clínicos mostram que serão necessárias duas doses por pessoa para obter a imunização desejada contra o vírus que já matou milhões de pessoas. Isso significa uma necessidade de 12 bilhões a 15 bilhões de doses para toda a população mundial. É uma tarefa gigantesca, para elevar a capacidade de produção a níveis jamais vistos antes. Como diz um analista, claramente não é “business as usual”’ e os laboratórios estão operando em “território desconhecido”.

Dados fornecidos pela IFPMA, Federação Internacional das Indústrias Farmacêuticas, levantados pela Airfinity, companhia de análises científicas em Londres, mostram que os contratos fechados por alguns grandes laboratórios para entregar vacinas anti-covid superam a capacidade de produção que estimam poder ter ao longo do ano.

A AstraZeneca/Oxford, que tem a vacina mais barata, com a dose calculada em torno de US$ 4, já fechou acordos de venda de 3,815 bilhões de doses. Em comparação, sua capacidade de produção deve ficar em 2,581 bilhões de doses por ano.

O mesmo acontece com a Pfizer, com contratos fechados para fornecer 1,501 bilhão de doses ante uma produção que deverá chegar a 1,3 bilhão de doses. É uma vacina mais cara, ao preço médio de US$ 19,50. A Jonhson & Jonhson, com capacidade ampliada para fabricar 1 bilhão de doses, tem acertos para fornecer 1,31 bilhão.

A vacina do laboratório americano Moderna, com o produto mais caro, terá capacidade de produzir 1 bilhão de vacinas. Fechou contrato até agora para fornecer 812 milhões de doses.

A Índia é o país com a maior capacidade de produção no momento, em torno de 3,5 bilhões de doses por ano. Várias vacinas estão ou serão produzidas em laboratórios indianos como AstraZeneca/Oxford, Novavax, J&J, Sputnik 5, Sinopharma. Os EUA vêm em segundo. A capacidade do Brasil, segundo o levantamento de Airfinity, é de 200 milhões de doses.

A IFPMA diz que as indústrias farmacêuticas está envolvida em várias iniciativas para assegurar acesso equitativo às vacinas mais promissoras. Vários laboratórios anunciaram que vão oferecer suas vacinas a um “preço socialmente responsável”, incluindo preços diferentes para diferentes países.

Observa que, apesar de muito competitivas, as indústrias farmacêuticas não hesitaram em somar recursos, expertise, know-how e ativos intelectuais para acelerar o desenvolvimento de novas, seguras e efetivas medicinas e vacinas, em ação com biotechs, universidades e institutos públicos de pesquisa. O nível de controle de qualidade de uma vacina é 50 vezes maior do que de um remédio normal, segundo analistas.

Para a entidade da indústria, “há luz no fim do túnel, mas os próximos seis meses serão cruciais”. O recente anúncio de Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca/Oxford sobre alto nível de eficácia de suas vacinas é promissor “e demonstra que a indústria está fazendo tudo em seu poder para rapidamente por a pandemia sob controle”.

A expectativa é que somente cinco a seis grupos farmacêuticos tenham as qualificações e infraestrutura para produzir vacinas na ampla escala necessária. Desenvolver e produzir doses na dimensão atual é algo inédito.

Segundo a IFPMA, já foram administradas pouco mais de 12, 3 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, em 32 países. A China vem em primeiro lugar com 4,5 milhões, os EUA em segundo com 4,2 milhões, e Israel em terceiro com 1 milhão. Em termos do número de vacinados por 100 pessoas, Israel está na frente com 12,59 já imunizados.

O objetivo, conforme a federação da indústria, é ter doses suficientes para proteger os trabalhadores na área de saúde, pessoas com problemas mais sérios e os idosos. Se forem protegidos os médicos, enfermeiros e outros no setor de saúde, isso representará já 1% do número total de doses necessárias. Incluindo pessoas com maior risco, o número passa para 20%.

A avaliação é que a atual produção deve ser suficiente para atender a primeira etapa. Mas a questão não é só ter a vacina. Há risco de os governos estragarem doses, na medida em que não tiverem planejado toda a logística necessária.

Com informações da Valor Econômico
Foto: Divulgação

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