Inflação oficial fecha 2020 em 4,52%, maior alta desde 2016

Trata-se da maior inflação anual desde 2016, quando o índice ficou em 6,29%, segundo divulgou nesta terça-feira (12)
Por Henrique De Mesquita
Publicado em 12/01/21 às 10h10
Inflação oficial fecha 2020 em 4,52%, maior alta desde 2016
Inflação oficial fecha 2020 em 4,52%, maior alta desde 2016

Pressionado pelos preços dos alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, fechou 2020 em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%.

Trata-se da maior inflação anual desde 2016, quando o índice ficou em 6,29%, segundo divulgou nesta terça-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio um pouco acima do esperado. Os analistas do mercado financeiro estimavam uma inflação de 4,37% em 2020, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

Inflação de dezembro é a maior desde 2003

Em dezembro, o IPCA ficou em 1,35%, acima dos 0,89% de novembro, pressionado principalmente pelo aumento a energia elétrica. Foi a maior variação mensal desde fevereiro de 2003 (1,57%) e o maior índice para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%). Em dezembro de 2019, a variação havia ficado em 1,15%.

IPCA - Inflação oficial mês a mês  — Foto: Economia G1

A energia elétrica representou em dezembro 0,40 ponto percentual da variação do IPCA.

“Tivemos dez meses consecutivos de bandeira tarifária verde, e em dezembro a gente teve a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que tem custo adicional de R$ 6,24 a cada 100 kw/h consumidos. Essa mudança tarifária contribuiu bastante para esse resultado de alta de 9,34% no mês da energia elétrica”, destacou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Alimentos foram os vilões da inflação

A principal vilã da inflação em 2020 foi a alimentação. Os preços do conjunto de alimentos e bebidas tiveram alta acumulada de 14,09% ao longo do ano, o maior aumento desde 2002 (19,47%).

Segundo o IBGE, os alimentos responderam sozinhos por quase metade da inflação do ano, com um impacto de 2,73 pontos percentuais sobre o índice geral.

De acordo com o gerente da pesquisa, a alta nos preços da alimentação foi influenciada, sobretudo, pela demanda por esses produtos, a alta do dólar e dos preços das commodities no mercado internacional. “Foi um movimento global de alta nos preços dos alimentos, num ano marcado pela pandemia de Covid-19”, destacou.

Dentre os itens da alimentação, os principais destaques de alta em 2020 foram o óleo de soja (103,79%) e o arroz (76,01%). Pesaram também no bolso das famílias os aumentos da batata-inglesa (67,27%), tomate (52,76%), leite longa vida (26,93%), frutas (25,40%) e carnes (17,97%).

Depois da alimentação, o segundo maior impacto sobre a inflação de 2020 partiu da habitação, que acumulou alta de 5,25% no ano. Segundo Kislanov, esse aumento foi influenciado, sobretudo, pela alta no custo da energia elétrica (9,14%).

Já o terceiro maior impacto partiu de artigos de residência, que acumularam alta de 6% no ano, pressionados pelo efeito dólar sobre os preços de eletrodomésticos (5,18%) e equipamentos e artigos de TV, som e informática (18,75%).

O IBGE destacou que, em conjunto, os grupos de alimentação e bebidas, de habitação e de artigos de residência responderam por quase 84% da inflação de 2020.

Veja a inflação em 2020 para cada um dos 9 grupos:

  • Alimentação e bebidas: 14,09%
  • Habitação: 5,25%
  • Artigos de residência: 6%
  • Vestuário: -1,13%
  • Transportes: 1,03%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,5%
  • Despesas pessoais: 1,03%
  • Educação: 1,13%
  • Comunicação: 3,42

Só vestuário registra deflação no ano

O único grupo a apresentar queda de preços em 2020 foi vestuário (-1,13%).

“Por conta do isolamento social, as pessoas ficaram mais em casa, o que pode ter diminuído a demanda por roupas. Tivemos quedas em roupas femininas (-4,09%) e masculinas (-0,25%) e infantis (-0,13%), calçados e acessórios (-2,14%). A única exceção foram joias e bijuterias (15,48%), por causa da alta do ouro”, destacou o pesquisador.

Inflação de serviços fica em apenas 1,73% no ano

Os custos de serviços avançaram 1,73% em 2020, bem abaixo da inflação geral do país, evidenciando a recuperação mais lenta do setor, que tem se mostrado o mais impactado pela pandemia de coronavírus.

Outro grande impacto da pandemia nos preços foi verificado na comparação entre alimentação dentro e fora do domicílio. Os alimentos e bebidas comprados para consumo dentro de casa acumularam em 2020 alta de 18,15%, enquanto a da alimentação fora de casa foi de 4,78%.

Maior inflação regional foi em Campo Grande

Em 2020, a alta dos preços foi generalizada em todas as 16 localidades pesquisadas pelo IBGE. Campo Grande (6,85%) teve a maior variação do ano, seguida por Rio Branco (6,12%), Fortaleza (5,74%), São Luís (5,71%), Recife (5,66%), Vitória (5,15%), Belo Horizonte (4,99%) e Belém (4,63%). Já o menor índice ficou com Brasília (3,40%).

Meta de inflação e perspectivas para 2021

Para 2021, o mercado financeiro subiu de 3,32% para 3,34% a previsão de inflação. Neste ano, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Trajetória da taxa de juros

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 2% – mínima histórica.

Os analistas do mercado passaram a projetar uma Selic em 3,25% no final de 2021 e em 4,75% em 2022.

Com o resultado do IPCA acima do esperado em 2020, porém, parte do mercado já projeta uma subida mais rápida da taxa de juros.

“Estes dados somados aos do IGP-M divulgados hoje também dão o tom que o Banco Central deve iniciar a alta da Selic em breve. Acreditamos entre o primeiro e o segundo trimestre – e a taxa deve fechar o ano em pelo menos 4%”, avaliou André Perfeito, economista da Necton.

Com informações via g1
Foto:
Divulgação

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