Manifestantes invadem Carrefour durante protesto contra morte de homem negro

Sob ordens de "não saquear", manifestantes quebraram o portão de ferro e a fachada de vidro do supermercado, jogaram pedras e depredaram
Por redacao
Publicado em 20/11/20 às 19h26

Manifestantes invadiram a loja do Carrefour, localizada dentro de um shopping na região da Avenida Paulista, em São Paulo, durante protesto contra a morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, um homem negro, ocorrida na noite de ontem, em Porto Alegre (RS). Dois seguranças do Carrefour, apontados no envolvimento da morte, tiveram a prisão preventiva decretada na tarde de hoje.


Sob ordens de “não saquear”, manifestantes quebraram o portão de ferro e a fachada de vidro do supermercado, jogaram pedras e depredaram. Algumas pessoas invadiram o estabelecimento e jogaram potes de tinta dentro da loja, mas não houve saque. Um princípio de incêndio também foi rapidamente controlado pela Brigada de Incêndio. Ninguém se machucou no episódio.
Após o incidente, homens da Polícia Militar isolaram a área próxima ao Carrefour.

(Foto: Divulgação)


João Alberto Silveira Freitas morreu após ser agredido por dois seguranças —um deles PM temporário, fora de serviço- no supermercado Carrefour, na zona norte de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra. Os agressores foram presos, suspeitos de homicídio doloso.


A vítima teria discutido com a caixa do estabelecimento e foi conduzida pelos segurança da loja até o estacionamento, no andar inferior. Durante o percurso, acompanhado por uma funcionária do Carrefour, Freitas desferiu um soco contra o PM, segundo afirmou a ela em depoimento à polícia.

(Foto: Divulgação)


Vídeos que mostram o espancamento e a tentativa de socorristas de salvar o homem circulam nas redes sociais desde a noite de ontem. As imagens mostram Freitas recebendo de um dos homens vários socos na região do rosto, enquanto o outro tenta segurá-lo. Uma mulher que estava usando proteção facial é vista perto deles, assistindo às agressões. Funcionários do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegaram a se deslocar até o local, fizeram massagem cardíaca, mas ele acabou não resistindo. O laudo pericial deverá apontar a causa da morte de Freitas.


O episódio gerou comoção e revolta nas redes sociais. Muitos internautas lembraram que o caso ocorreu à véspera do Dia da Consciência Negra, celebrado nesta sexta-feira.


Freitas era participante de uma torcida organizada de futebol em Porto Alegre, do clube São José, e foi homenageado com posts com mensagens como “vidas negras importam” e a convocação de um protesto : “Amanhã estaremos no Carrefour Passo D’areia o dia todo, não vai ficar assim, queremos justiça, fizeram covardia com 1 irmão, agora segurem o Bonde Da ZONA NORTE!”

MP aguarda conclusão de investigações

O subprocurador do Ministério Público Marcelo Lemos Dornelles disse que o órgão já tomou as providências imediatas em relação ao caso e, agora, irá aguardar a conclusão das investigações para o oferecimento ou não da denúncia.


“Sabemos que a Polícia Civil está dando prioridade a isso. Com as conclusões, o Ministério Público vai tomar as providências cabíveis, com o oferecimento da denúncia para o processo criminal”, afirmou ele.


“Também instauramos um inquérito civil na área dos Direitos Humanos e da Cidadania para avaliarmos as empresas de segurança, que têm prestado trabalho a outras empresas aqui em Porto Alegre, e que, eventualmente, possam ter um cunho de racismo na orientação na fiscalização do trabalho de seus servidores”, disse.


Delegada cita asfixia como provável causa da morte


A delegada Roberta Bertoldo, responsável pela investigação da morte de João Alberto Silveira Freitas, afirmou que a provável causa da morte da vítima é asfixia.


“Se supõe que ele tenha sido asfixiado, ou seja, não conseguia respirar bem naquele momento e, por isso, entrou em óbito”, relatou. Conforme o Instituto Geral de Perícias (IGP), a previsão é de que o laudo pericial, que confirmará a causa da morte, seja divulgado ainda nesta sexta-feira.


A investigação foi iniciada já durante a madrugada, pelo delegado plantonista Leandro Bodoia, que foi ao local fazer o atendimento. De manhã, a 2ª DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), da qual a delegada Bertoldo é titular, assumiu o caso. Dois homens, ambos brancos, foram presos: um segurança do local e um policial militar temporário.


O foco, neste momento, é na coleta das imagens do local, que serão analisadas, e na verificação da presença de testemunhas que possam prestar depoimento.


Não há previsão de quanto tempo levará para a conclusão da investigação, mas Bertoldo considera que o caso não é complexo, uma vez que a autoria já está definida e duas pessoas já foram presas em flagrante. A delegada, contudo, não descarta que mais pessoas sejam responsabilizadas pelo crime.

Com informações do UOL

Foto: Divulgação

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