Mulher que levou marido morto a banco é acusada pela Justiça

Ela havia perdido a combinação anterior, e só poderia obtê-la se tivesse uma procuração ou levasse o homem presencialmente a "prova de vida"
Por Sthefane Campos
Publicado em 18/10/20 às 08h44

A Polícia Civil de Campinas (SP) indiciou na última sexta-feira (16), Josefa de Souza Mathias, de 58 anos, por vilipêndio de cadáver (desrespeito ao corpo) e tentativa de estelionato.

Ela levou o marido, Laércio Della Colleta, de 92, a uma agência do Banco do Brasil para fazer uma ‘prova de vida’ para obter uma nova senha para movimentar a conta bancária, só que ele estava morto havia pelo menos 12 horas antes. Em depoimento, ela negou a tentativa de fraude.

O delegado do 1º Distrito Policial da cidade ouviu dois funcionários do banco que presenciaram a confusão que aconteceu no dia 2 de outubro. Josefa chegou com Laércio em uma cadeira de rodas, acompanhada de um casal de amigos, quando pediu para obter uma nova senha para conseguir sacar a aposentadoria do marido.

A gerente da agência estranhou a aparência do homem e chamou um bombeiro civil, que percebeu que Laércio estava morto. Samu e Corpo de Bombeiros foram acionados, quando um médico levantou a suspeita de que ele estava morto há mais tempo do que parecia. O chefe de segurança contou que viu Josefa agitada.

Ontem, um laudo do Instituto Médico Legal pedido pela polícia confirmou que Laércio estava morto havia pelo menos 12 horas antes de ser levado ao banco. Não houve violência. O documento atesta “causas naturais” como motivo do óbito.

Depoimentos

Segundo o diretor do Departamento de Policiamento do Interior 2 (Deinter-2), José Henrique Ventura, a vizinha que foi com Josefa até o banco também prestou depoimento hoje. Ela contou que não imaginava que Laércio estivesse morto.

“Ela contou que viu que Laércio estava paralisado, e chegou a questionar Josefa porque não havia chamado o Samu. A resposta é que ela precisava ir ao banco para poder movimentar a conta bancária, mas não tinha dito que o homem havia morrido”, disse ao UOL.

A porteira do prédio onde Josefa mora, que fica a três quadras do banco, também foi ouvida. Ela contou que chamou a vizinha após a moradora relatar que Laércio não estava bem.

Na saída da delegacia, já no final da tarde, Josefa não quis conversar com a imprensa sobre o caso que repercutiu em todo o país. A advogada de defesa, Andreza Carolina Dias Amador, prefere ainda não divulgar a estratégia de defesa. “Ela nega que tentou aplicar fraude na aposentadoria dele”, resumiu.

Josefa e Laércio estavam em uma união estável havia pelo menos 10 anos, e que o objetivo da ida ao banco era sacar a parcela da aposentadoria do mês. O homem fazia isso sozinho até então.

Em nota, o Banco do Brasil informou que “cumpriu todos os protocolos previstos no contrato de prestação de serviço”.

A instituição confirmou que não havia nenhum problema com a aposentadoria de Laércio, apenas a falta das credenciais para acessar a conta e realizar o saque e, por isso, foi necessária a presença dele na agência.

Confusão sobre data de nomeação

A reportagem questionou a data de nomeação de Laércio como escrivão da Polícia Civil. A Associação dos Escrivães de Polícia do Estado de São Paulo (AEPESP) informou, anteontem, que ele foi registrado em 15 de janeiro de 1940. A dúvida é sobre a idade que Laércio teria na época, 12 anos.

Hoje, a reportagem voltou a conversar com a entidade e questionou se havia algum erro na data. Duas bases de dados da AEPESP foram consultadas, uma digital e uma física, e em ambas constam a mesma data.

Ela levou o marido, Laércio Della Colleta, de 92, a uma agência do Banco do Brasil para fazer uma ‘prova de vida’ para obter uma nova senha para movimentar a conta bancária, só que ele estava morto havia pelo menos 12 horas antes. Em depoimento, ela negou a tentativa de fraude.

O delegado do 1º Distrito Policial da cidade ouviu dois funcionários do banco que presenciaram a confusão que aconteceu no dia 2 de outubro. Josefa chegou com Laércio em uma cadeira de rodas, acompanhada de um casal de amigos, quando pediu para obter uma nova senha para conseguir sacar a aposentadoria do marido.

Ela havia perdido a combinação anterior, e só poderia obtê-la se tivesse uma procuração ou levasse o homem presencialmente — a “prova de vida”.

A gerente da agência estranhou a aparência do homem e chamou um bombeiro civil, que percebeu que Laércio estava morto. Samu e Corpo de Bombeiros foram acionados, quando um médico levantou a suspeita de que ele estava morto há mais tempo do que parecia. O chefe de segurança contou que viu Josefa agitada.

Ontem, um laudo do Instituto Médico Legal pedido pela polícia confirmou que Laércio estava morto havia pelo menos 12 horas antes de ser levado ao banco. Não houve violência. O documento atesta “causas naturais” como motivo do óbito.

Depoimentos

Segundo o diretor do Departamento de Policiamento do Interior 2 (Deinter-2), José Henrique Ventura, a vizinha que foi com Josefa até o banco também prestou depoimento hoje. Ela contou que não imaginava que Laércio estivesse morto.

“Ela contou que viu que Laércio estava paralisado, e chegou a questionar Josefa porque não havia chamado o Samu. A resposta é que ela precisava ir ao banco para poder movimentar a conta bancária, mas não tinha dito que o homem havia morrido”, disse ao UOL.

A porteira do prédio onde Josefa mora, que fica a três quadras do banco, também foi ouvida. Ela contou que chamou a vizinha após a moradora relatar que Laércio não estava bem.

Na saída da delegacia, já no final da tarde, Josefa não quis conversar com a imprensa sobre o caso que repercutiu em todo o país. A advogada de defesa, Andreza Carolina Dias Amador, prefere ainda não divulgar a estratégia de defesa. “Ela nega que tentou aplicar fraude na aposentadoria dele”, resumiu.

Josefa e Laércio estavam em uma união estável havia pelo menos 10 anos, e que o objetivo da ida ao banco era sacar a parcela da aposentadoria do mês. O homem fazia isso sozinho até então.

Em nota, o Banco do Brasil informou que “cumpriu todos os protocolos previstos no contrato de prestação de serviço”.

A instituição confirmou que não havia nenhum problema com a aposentadoria de Laércio, apenas a falta das credenciais para acessar a conta e realizar o saque e, por isso, foi necessária a presença dele na agência.

Confusão sobre data de nomeação

A reportagem questionou a data de nomeação de Laércio como escrivão da Polícia Civil. A Associação dos Escrivães de Polícia do Estado de São Paulo (AEPESP) informou, anteontem, que ele foi registrado em 15 de janeiro de 1940. A dúvida é sobre a idade que Laércio teria na época, 12 anos.

Hoje, a reportagem voltou a conversar com a entidade e questionou se havia algum erro na data. Duas bases de dados da AEPESP foram consultadas, uma digital e uma física, e em ambas constam a mesma data.

Com informações do UOL.

Foto: Reprodução

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