Nomes atuantes da PMAM ficam de fora da Câmara e provam que seguidores na web não significam eleitores

Apenas o Capitão Carpê Andrade foi eleito para assumir uma cadeira de vereador na Câmara
Por Edilânea Souza
Publicado em 26/11/20 às 15h50
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O número de candidatos da Segurança Pública vem aumentando a cada Eleição, desde 2018, quando iniciou a onda bolsonarista. A prova disso é a quantidade de cabos, tenentes e capitão da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) que participaram do pleito e disputaram o cargo de vereador para a Câmara Municipal de Manaus, no dia 15 de novembro.

Mais de 40 nomes de dentro da Corporação pleitearam uma vaga no Parlamento Municipal, sendo 5 cabos, 19 sargentos, 1 subtenente, 3 tenentes, 16 deles com a patente de coronel e apenas um capitão, que foi o único eleito entre os candidatos da Segurança Pública, no caso o Capitão Carpê Andrade (Republicanos), que obteve 8.538 mil votos, ficando como o quarto mais votado no pleito.

Destes nomes de PM’s que saíram candidatos, alguns mantêm um trabalho expressivo nas redes sociais, mostrando o dia a dia da Corporação e com outros conteúdos. Porém, a conquista de muitos seguidores nas redes sociais não expressou o voto nas urnas.

Um dos nomes que tem grande expressão nas redes sociais é o de Cabo Coutinho, que tem mais de 18,8 mil seguidores no Instagram, mas obteve apenas 1.671 mil votos. Coutinho utilizou as redes sociais com pouca frequência para divulgar sua campanha eleitoral, em compensação divulga bastante seu trabalho na PM.

O sargento Salazar Sardinha (Patriota) é outro nome dentro da PM que usa bastante suas redes sociais para divulgar seu trabalho pela Corporação. Ele tem mais de 5,8 mil seguidores no Instagram e teve 2.079 votos. Salazar usou muito pouco suas redes sociais para divulgar sua candidatura.

Outro nome bastante conhecido é de Coronel Rosses (PRTB), que obteve 3.447 mil votos. Ele ficou muito conhecido por integrar grupo pró-Bolsonaro na capital amazonense, além de ser irmão do deputado Delegado Péricles. O coronel tem mais de 12,1 mil seguidores no Instagram e utilizou bastante a plataforma para difundir sua campanha, porém não conseguiu se eleger.

Coronel Alysson (PMN) também não conseguiu colocar seu nome entre as 41 vagas de vereador na CMM. Ele tem um trabalho forte voltado para a edução e foi comandante e diretor de ensino do 3º CMPM Waldocke Frieck de Lyra, de 2014 até fevereiro de 2020. Alysson Almeida tem mais de 9,3 mil seguidores no Instagram e obteve 2.773 mil votos.

Já Coronel Walter Cruz (Cidadania) desenvolve um trabalho voltado para a gestão e já foi de subcomandante da Polícia Militar do Estado e diretor-presidente da Agência Reguladora dos Serviços Públicos (ARSAM). No Instagran, o Coronel tem mais de 5,7 mil seguidores e obteve 1.373 mil votos.

Salvador da Pátria

Quem “salvou a Pátria” literalmente com apenas uma vaga na CMM foi Capitão Carpê Andrade (Republicanos), que vem se projetando há muito tempo nas redes sociais e hoje tem mais de 162,2 mil seguidores no Instagram. Carpê sempre divulgou seu trabalho na PM por meio das redes e ficou bastante conhecido com o lançamento de campanha de combate ao suicídio, na Ponte Jornalista Phelippe Daou, mais conhecida como Ponte Rio Negro, na zona Oeste de Manaus.

Fora de combate

Se Carpê não tivesse conseguido se eleger, a área da Segurança Pública ficaria sem representatividade na Câmara. Antes, o Parlamento tinha dois vereadores do setor que não conseguiram se reeleger, um deles foi o Sargento Bentes Papinha (PL), que obteve 3.729 mil votos e o outro é Coronel Gilvandro (PSDB), que ficou com 5.129 mil votos.

Especialista em Direito Autoral comenta o uso das redes sociais para divulgação de candidaturas

A advogada e especialista em Direito Autoral, Fabiana Barroso falou sobre o uso das redes sociais como forma de propagar as informações e disse que esse “mundo digital” iniciou em 2008, com a campanha do ex-presidente Barac Obana e em seguida com Donald Trump, nos Estados Unidos.

“Os ciclos eleitorais mais recentes apresentaram um cenário desconhecido para grande parte de partidos e candidatos à cargos eletivos: o mundo digital e as redes sociais. E quem conseguiu utilizar as novas ferramentas, mobilizou eleitores e influenciou ideias que convergiram em uma mudança de paradigma na maneira de se comunicar com o público votante. A primeira campanha que chamou a atenção foi a de Barack Obama em 2008, na qual o candidato do Partido Democrata angariou fundos e reuniu grande grupo de correligionários através do Twitter. Aqui no Brasil, as eleições realizadas em 2018 ficaram marcadas pelo poder de disseminação em massa das informações através de redes sociais e aplicativos de mensagens. E claro, esta nova maneira de interagir gerou dúvidas e investigações sobre a legalidade do processo”, ressaltou Fabiana.

Fabiana Barroso também comentou que os números das redes sociais não correspondem a votos, porque muitas contas são criadas com perfis falsos e os números não são orgânicos .

“Na prática os números nas redes sociais não significam votos válidos. Muitas vezes as pessoas seguem políticos apenas para se manter informadas ou para conhecer suas propostas, mas não necessariamente significa voto e não podemos esquecer também, que parte desse público podem ser de certa forma falsos, como os robôs com perfis falsos, que foram criados para isso, para movimentar as redes sociais e gerar a comoção do povo gerando uma discussão”, disse a advogada.

A advogada disse que ainda falta realizar um trabalho maciço para integrar o marketing digital às Eleições.

Falta ainda a gente se adaptar aqui no Brasil e trabalhar um pouco melhor a questão do marketing digital dentro das Eleições para propagar as informações, verdadeiras e de forma respeitosa e atingir o público alvo, que no caso é o eleitor. Não adianta ter milhões de seguidores se no final das contas nem metade deles será eleitor de fato, não tem capacidade civil para poder votar”, finaliza a especialista.

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