“Nunca vi uma doença tão brava como essa”, diz idosa de 108 anos. VEJA VÍDEO:

Maria Antônia Vaz lamenta não receber mais visitas, mas sabe que é para o bem de todos.
Publicado em 26/03/20 às 01h46
Por thiago.eduardo

“Eu nunca vi uma doença tão brava, tá muito perigoso sair. Tem que se trancar em casa e trancar os velhos para não ir à rua”, é o que diz a idosa Maria Antônia Vaz, de 108 anos. Ela está em quarentena na cidade Pato Branco, no sudoeste do Paraná.

‘Vó Antônia’, como é mais conhecida, quis gravar um vídeo para postar nas redes sociais e orientar os idosos sobre as medidas para prevenir a Covid-19. Assista acima.

“Sobram idosos teimosos, eles acham que são mais que a gente. Não tem ideia do perigo da morte”, explica ela. Segundo a idosa, nos seus 108 anos de vida, nunca viu uma doença tão ‘brava’.

Durante uma entrevista ao G1 Paraná, ela falou sobre a importância dos idosos obedecerem aos mais novos, porque são mais “fracos” em relação à imunidade.

Nascida no dia 5 de dezembro de 1911, a vó contou que o atual momento é sério e precisa de mudanças urgentes. “Eu conversava um monte com as minhas companheiras. Agora eu sinto uma grande falta disso. Mas sei que não posso sair e nem receber visita. Precisamos nos prevenir,” disse.

De acordo com a neta dela, Claudia Natalina de Oliveira, a avó sempre presta atenção nos noticiários e é cuidadosa com a saúde.

“A vó perdeu um filho por causa da febre tifoide, quando ele tinha 4 anos. Ela sentiu na pele como é perder alguém que ama por causa da saúde. Então crescemos ouvindo que a gente precisa se cuidar”, revelou.

Segundo a neta, a vó mora com outras cinco pessoas na mesma casa e, por isso, todos têm tomado cuidado redobrado para prevenir o novo coronavírus.

“Tem três de nós que estão saindo para trabalhar. A gente tá tomando todas as medidas, tomando banho assim que chega em casa, cuidando com o contato, fazendo tudo, principalmente por causa dela”, explicou Claudia.

A família contou que a vó foi a primeira da cidade a tomar a vacina contra influenza na segunda-feira (23). A aplicação foi feita dentro do carro, para evitar a ida da idosa a uma unidade de saúde.

“É muito perigoso o coronavírus. É um bichinho invisível que vem e infecta a gente. Se não cuidar, a gente vai direto para o cemitério”, explica a avó.

Com as novas medidas adotadas pela a família, não é mais permitido abraçar e beijar a vó Antônia, que diz adorar o contato humano. Mesmo assim, segundo a neta, a relação entre eles não esfriou e, para isso ser possível, a tecnologia tem sido uma aliada.

“A gente conversa pelo celular. Aí ela atende de lá e eu falo daqui. É muito bom a gente conversar! É porque abraço não pode mais, só de longe”, contou a avó.

Para a neta o momento é de tensão, sem saber o que ainda vai acontecer. Por isso, eles explicam que todo o cuidado é essencial com a vovó centenária.

“A gente acredita que o pior ainda tá por vir, então esse é o momento de cuidar bem dela. Ela mesmo fala: ‘quando você era pequena eu te cuidava, agora você cuida de mim e eu te obedeço’”, disse Claudia.

Sempre ativa e com muita disposição, a vó Antônia disse que está sendo difícil ficar em casa, mas que entende porque deve fazer a parte dela. “Se a gente tá se prevenindo em casa, Deus tá cuidando de nós.”

Fonte: G1 Paraná

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