quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Pesquisa analisa adesão do comércio e comportamento do consumidores

Pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) nos últimos anos aponta os resultados da Black Friday refletem não apenas uma antecipação das vendas natalinas mas um acréscimo de vendas ao último bimestre do ano. De acordo com a coordenadora das Sondagens do FGV IBRE, Viviane Seda Bittencourt, é possível notar que, após um período de desconfiança, o evento consolidou-se de vez no calendário do comércio.

“Em comparação a 2018, alguns segmentos mostraram certa acomodação, mas em relação a 2017 todos registram aumento da proporção de empresas aderindo ao evento de descontos, exceto o setor de material para construção. Os destaques continuam sendo os segmentos de tecidos, vestuário e calçados e de móveis e eletrodomésticos. Este último com aumento crescente no percentual de participação, chegando ao recorde de 81,9%”, destaca Viviane Seda Bittencourt.

O levantamento do FGV IBRE mostra ainda que quase 70% das empresas consultadas nos segmentos do varejo restrito considera que a data aumentará o volume de vendas de final de ano, e não será apenas uma antecipação. Nos segmentos de móveis e eletrodomésticos e outros produtos varejistas mais de 75% das empresas acreditam em um aumento líquido nas vendas do período.

Ótica dos consumidores – A pesquisa do FGV IBRE revela que 92,6% dos 1783 consumidores entrevistados conhecem o evento Black Friday, um grau de reconhecimento que vem aumentando desde 2017 e continua positivamente correlacionado ao nível de renda familiar. Quanto à pretensão de comprar produtos ou serviços na Black Friday deste ano, embora apenas 8,4% tenham certeza da compra, a parcela de consumidores que demonstraram algum interesse em consumir aproveitando as promoções – considerando os fatores: preço, condições de pagamento ou outros -soma 27,6%, superior aos 20,2% de 2018 e aos 18,7% de 2017.

“Entre os indecisos, o preço dos produtos é o fator mais influente, enquanto as formas de pagamento parecem exercer pouco impacto sobre a decisão. No sentido oposto, a proporção dos que afirmam que não pretendem comprar é de 59,9%, inferior aos 67,7% e aos 68,3% registrados em 2018 e em 2017, respectivamente. Os 4,1% restantes não sabem se comprarão ou não”, explica Viviane Seda Bittencourt.

Motivação das compras – O estudo do FGV IBRE relata também que a necessidade de adquirir um bem ou serviço continua sendo a principal motivação para as compras previstas. Cerca de 3/4 dos consumidores afirmaram que adquirirão algo que necessitem independente das compras de Natal. Tal tendência é mais forte quanto menor for a renda familiar.

“Entre aqueles que pretendem antecipar as compras de Natal, os números mostram que as famílias estão cada vez menos tendenciosas a aproveitarem o evento com essa finalidade: a proporção de consumidores que marcaram uma das duas opções soma 18,2%, nível abaixo do registrado em 2017 e 2018, 33,0% e 19,6% respectivamente. Além disso, a correlação entre consumidores que compram na Black Friday com esse propósito e o nível de renda é positivo, atingindo 26,3% nos consumidores de maior poder aquisitivo”, observa a economista do FGV IBRE Viviane Seda Bittencourt.

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