Poluidor? Mineração de Bitcoin já consome mais energia que país com 100 milhões de pessoas

Bitcoin deve ultrapassar em breve o patamar de nações como Holanda (114,5 TWh, 17,1 milhões de pessoas), Argentina (146,5 TWh, 45,1 milhões de pessoas)
Por Henrique De Mesquita
Publicado em 09/01/21 às 17h48
Poluidor? Mineração de Bitcoin já consome mais energia que país com 100 milhões de pessoas
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Esse aumento em 2020 foi puxado por um pico significativo (de 23,36%) nas últimas semanas; desde 17 de dezembro, o consumo de energia do bitcoin saltou de 86,67 TWh para os atuais 106,92 TWh (em terawatts-hora, ou 1.000 unidades de watt-hora, métrica baseada na quantidade de energia necessária para alimentar uma carga com potência de um watt no período de uma hora).

Os dados são do Centro de Finanças Alternativas da Universidade de Cambridge (CCAF, em inglês), na Inglaterra. O instituto criou uma plataforma que mede em tempo real o consumo estimado de energia do “ecossistema” do bitcoin – sua mineração, os registros e validações de suas transações na blockchain e o processamento de produtos financeiros a ele atrelados, como stable coins e DeFis.

O movimento replicou a disparada na cotação da mais popular entre as criptomoedas, que subiu 38% desde 17 de dezembro (de US$ 23,1 mil para US$ 31,9 mil) e 331% no último ano (de US$ 7,4 mil para US$ 31,9 mil).

Com a recente alta no consumo, a energia usada pela criptomoeda passou a superar a demanda de países com grandes populações, como as Filipinas (99,2 TWh, 109,5 milhões de pessoas), segundo a edição mais recente do Atlas da Energia, da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), e as estimativas populacionais da ONU.

E, a seguir o ritmo de crescimento recente, o consumo de energia do bitcoin deve ultrapassar em breve o patamar de nações como Holanda (114,5 TWh, 17,1 milhões de pessoas), Argentina (146,5 TWh, 45,1 milhões de pessoas) e Paquistão (149,2 TWh, 220,8 milhões de pessoas).

Por outro lado, ainda ficará bem atrás dos dez países com maior consumo de energia no mundo, uma lista que inclui o Brasil:

https://datawrapper.dwcdn.net/RuoWp/1/

Os números levantam um alerta: embora a tecnologia do bitcoin e dos criptoativos seja disruptiva (ou seja, promova transformações radicais na condição pré-existente) e 100% digital, manter esse ecossistema consome muita energia e cobra um preço caro do meio ambiente.

Segundo dados da IEA, quase dois terços (66,3%) da energia elétrica gerada no mundo provêm de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão, gás natural e biocombustíveis, sob demanda principalmente do setor industrial e das residências.

E, embora as fontes de energia renováveis, como eólica e solar, tenham experimentado crescimentos recentes, principalmente em nações desenvolvidas, esse índice de “energia suja” ainda é de 57% nos países-membro da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e de 71,7% nos países não-membros da entidade que reúne as maiores economias do mundo.

Com informações via Valor Investe
Foto: Divulgação



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