Quem matou o bailarino Flávio Soares? Crime continua sendo um mistério

flávio soares
Flávio Soares, 54, foi morto com um tiro na cabeça em janeiro deste ano. Ele era atuante na cultura amazonense e querido por várias pessoas.
Por João Paulo Castro
Publicado em 12/08/20 às 05h22

Manaus – O assassinato do bailarino e personal trainer Flávio Soares, 54, completou sete meses na última terça-feira (11). Ele foi morto com um tiro na cabeça na madrugada do dia 11 de janeiro em um posto de combustível localizado na avenida Belo Horizonte, bairro Aleixo, zona Sul da capital.

Flávio vinha de uma festa com os amigos e parou no estabelecimento. Ele foi cercado por homens não identificados e atiraram contra ele.

O caso segue em investigação na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), sob a coordenação da delegada Zandra Martins, adjunta da unidade policial. Entretanto, a morte de Flávio ainda é cercada de mistérios e perguntas ainda não respondidas

Em resposta ao Portal Tucumã, a Polícia Civil do Amazonas (PCAM) disse que a investigação está em fase de conclusão e um relatório deve ser encaminhado ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Questionada sobre o prazo na entrega do relatório, não foi possível fornecer maiores informações “para não interferir” na investigação da polícia.

O coreógrafo e professor de educação física, Elifas Matos, 44, convivia diariamente com Flávio Soares. Ele falou sobre a partida do grande amigo na arte e na vida.

“Me faltam palavras nesse momento. A dor deu lugar à saudade, que a cada dia só aumenta cada instante. São sete meses sem a presença dele. Meu amigo, onde você estiver, que os anjos te guiem e Deus te guarde. Aqui na terra está uma loucura e a justiça de Deus seja feita. Te amo muito”, declarou Elifas.

Elifas (esquerda) e Flávio (direita) – Foto: Reprodução/Facebook

Trajetória

Flávio Soares iniciou sua carreira na dança aos 18 anos de idade com a professora Rosiman Monteverede. Logo em seguida ele passou a integrar o Grupo Espaço da Dança do Amazonas (Gedam), coordenado por Conceição Souza.

Em 1998, Flávio fez audição para o Corpo de Dança do Amazonas (CDA), na época, dirigida por Joffre Santos, e ficou até 2010. Em 2013 passou a integrar o Balé Folclórico do Amazonas, onde ficou até o início de 2020.

Ao lado de Conceição Souza, ele assinou o espetáculo “A Dança do Sol” em 2017. Na reta final de 2019, Flávio acompanhou a companhia em viagens para o interior do Amazonas, levando espetáculos do grupo e realizando oficinas de dança nos municípios Nova Olinda do Norte, Borba e Autazes.

Homenagens

O coreógrafo da Reino Unido da Liberdade, Tony Botelho, 45, relembrou o dia que Flávio Soares participou de um espetáculo no Teatro Américo Alvarez, localizado na avenida Ramos Ferreira, Centro de Manaus. Ele conta que ele tinha um grande talento na dança.

“Ele (Flávio) dançou uma coreografia minha no Teatro Américo Alvarez, que se chamava ‘A dor que arde sem doer’, valendo pela disciplina de Danças Contemporâneas pela UEA (Universidade Estadual do Amazonas). Foi divino. Ainda peguei nota 10. O Flávio era um neguinho muito bom”, relembra o artista.

Flávio era integrante na comissão de frente da escola do Morro da Liberdade. Durante o desfile deste ano, o bailarino foi homenageado na avenida. “Acreditamos que deveríamos homenageá-lo e pedir justiça para esse crime. O Flávio respirava arte, tenho certeza que ele sentiu amado”, conta Tony.

Tony (esquerda) falou que Flávio (direita) era uma pessoa do bem – Foto: Reprodução/Facebook

O corpo de Flávio Soares foi velado no mesmo dia na Funerário São Francisco, bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus. Na época, o titular da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC), Marcos Apolo Muniz, se manifestou sobre a morte de Flávio por meio de nota.

“Flávio contribuiu muito para a Dança do estado, desde a participação em produções de espetáculos no Teatro Américo Alvarez, depois como integrante dos Corpos Artísticos Estaduais, nos quais atuou no Corpo de Dança do Amazonas e, mais recentemente, no Balé Folclórico. Deixa uma saudade e um grande legado”, disse o secretário.

Foto: Divulgação

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